O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), abriu nova crise com o Palácio do Planalto. E desta vez, entrou em rota de colisão direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesta sexta-feira (12/04), Lula saiu em defesa do ministro Alexandre Padilha, que foi atacado por Lira no dia anterior, quinta-feira (11/04) – o qual o chamou de desafeto pessoal e incompetente.

“Mas só por teimosia, o Padilha vai ficar por muito tempo nesse ministério. Não há ninguém melhor preparado para lidar com adversidades dentro do Congresso Nacional", disse Lula na noite desta sexta-feira durante a inauguração da sede da Anfavea, em São Paulo.

Ao partir para o embate com Lira, Lula não sai em defesa apenas do ministro. Ele parece disposto a mudar o “tom” da relação do governo com o presidente da Câmara dos Deputados.

Restando menos de um ano como presidente da Câmara dos Deputados, na avaliação de vários especialistas Arthur Lira está entrando em fase de declínio. As atenções na Casa são cada vez maiores para o sucessor de Lira (vaga que estaria entre três deputados federais, Elmar Nascimento, União-BA; Marcos Pereira, Republicanos-SP; Isnaldo Bulhões, MDB-AL).

A eleição municipal também ajuda a esvaziar o poder de Lira. O Congresso Nacional entra de agora até outubro num ritmo de desaceleração. Quanto mais próximo das eleições, menor será a presença de deputados e senadores em Brasília.

Agenda econômica


Apesar da “colisão” com o governo, Lira sinalizou, neste sábado, que a “briga” não deve atrapalhar votação de projetos econômicos.

Nos próximos dias, a Câmara deve começar a analisar os projetos de lei complementares da reforma tributária. Também estão no radar o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), a desoneração dos municípios e a reoneração de 17 setores da economia. Na avaliação dos aliados de Lira, a rusga entre ele e Padilha não deve interferir no andamento das propostas na Casa.

“Já vislumbrando o fim de seu mandato e irritado com a avaliação de que ele estaria fraco, Lira aposta na agenda econômica como uma das marcas de sua gestão”, diz reportagem do UOL. “'É pelo país'. Lira afirmou a aliados que a decisão de manter a pauta econômica ".

Leia aqui na íntegra

Lira diz a aliados que preservará pauta econômica e não quer acirrar crise

Desafeto


Na quinta-feira (11/04), Arthur subiu o tom contra o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao chamá-lo de "desafeto pessoal" e "incompetente". Padilha é o principal negociador do governo Lula com deputados.

Segundo versão de vários veículos de imprensa, Lira se irritou com pergunta (sobre derrota política) sobre a articulação de aliados para tentar revogar a prisão do deputado Chiquinho Brazão. A Câmara manteve a prisão, o que foi visto por alguns como um enfraquecimento de Lira nas negociações.

Ele rebate que o voto de cada parlamentar "foi pessoal". "Cada deputado é responsável pelo voto que deu." Lira ainda chamou de "lamentável que integrantes do governo interessados na instabilidade da relação harmônica entre os Poderes fiquem plantando essas mentiras". "E depois, quando o Parlamento reage, acham ruim".

“Essa notícia hoje, que você está tentando verbalizar, porque os grandes jornais fizeram, foi vazada do governo e basicamente do ministro Padilha, que é um desafeto pessoal, além de incompetente. Não existe partidarização, eu deixei bem claro que ontem a votação é de cunho individual”, disse Arthur Lira (PP-AL), durante visita a evento da frente agropecuária em Londrina

Muito tempo


O presidente Lula destacou que o ministro Padilha ficará no cargo "por muito tempo". "Mas só por teimosia, o Padilha vai ficar por muito tempo nesse ministério. Não há ninguém melhor preparado para lidar com adversidades dentro do Congresso Nacional", disse Lula na noite desta sexta-feira (12).