O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assinou na noite desta segunda-feira (23) um acordo de cooperação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para promover e fortalecer as ações de combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro.
Durante o evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou a cerimônia de assinatura dos protocolos de intenções para solicitar a Alckmin que o debate sobre o fim da escala 6x1 seja adiado para o próximo ano, destacando que 2026 é um ano eleitoral.
“A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que em ano eleitoral as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se conflituam com os interesses do país”, disse Skaf.
Em resposta, Alckmin defendeu a necessidade de mudanças na jornada de trabalho e ressaltou que esse movimento é observado em diversos países.
“Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo. Então, esse é um debate que não deve fazer corridas e deve ser aprofundado, já que você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas isso é uma tendência”, afirmou o presidente em exercício.
Defesa comercial
Ao lado do presidente da Fiesp, Alckmin assinou dois documentos: um protocolo de intenções sobre defesa comercial e outro sobre ambiente regulatório, com foco em combater a burocratização e promover a competitividade.
“A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, defendeu Alckmin.
Segundo a Fiesp, o protocolo sobre defesa comercial estabelece bases para a cooperação institucional entre o ministério e a entidade, visando à promoção do comércio justo e ao uso adequado dos instrumentos de defesa comercial e de combate a práticas desleais e ilegais previstos na legislação nacional e internacional. Entre as ações previstas, está a criação de uma calculadora de margem de dumping, além do compartilhamento de experiências e ferramentas técnicas.
O segundo protocolo trata do ambiente regulatório e busca estabelecer bases para a cooperação institucional, promovendo a desburocratização, fortalecendo a competitividade e a qualidade regulatória no país, reduzindo custos regulatórios e administrativos para empresas e sociedade, e desenvolvendo ações para diminuir barreiras e custos sistêmicos ao empreendedorismo e investimento no Brasil. Entre as propostas, está a ampliação da digitalização dos serviços públicos e a integração de sistemas.
“Nós vamos tomar uma medida hoje formal, objetivando avançarmos e termos no Brasil, realmente, uma defesa comercial eficiente, para que a gente não possa permitir que os nossos setores e os nossos empregos sejam atacados de uma forma injusta”, afirmou Skaf durante a cerimônia, realizada na reunião da diretoria da Fiesp.
Selic
Em discurso à diretoria da Fiesp, Alckmin manifestou confiança de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie, já em sua próxima reunião, marcada para março, a redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano. “Estamos confiantes de que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, declarou.
De acordo com o presidente em exercício, a expectativa se deve à valorização do real e à queda da inflação dos alimentos. “Nós devemos ter aí uma melhora”, acrescentou Alckmin, ao comentar a perspectiva de recuperação da economia com a possível diminuição dos juros.
Taxação
Aos empresários e industriais presentes à reunião da Fiesp, Alckmin voltou a afirmar que considera positiva para o Brasil a nova tarifa global de 15% estabelecida nesta semana pelo governo dos Estados Unidos.
A medida, anunciada por Trump como resposta à decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas sobre produtos importados impostas globalmente no ano passado, agora é aplicada a todos os países, representando uma mudança em relação às tarifas anteriores, que variavam de acordo com a nação.
“O país mais beneficiado no mundo [com essa decisão] foi o Brasil”, afirmou Alckmin, ressaltando que o maior problema era quando os Estados Unidos haviam taxado apenas os produtos brasileiros.


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