A CPMI do INSS chega ao fim na próxima semana, no dia 28 de março. Seus integrantes estabeleceram o cronograma de entrega do relatório, caso o prazo da Comissão não seja prorrogado. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a apresentação deve ocorrer na próxima quarta-feira, 26, pelo relator Alfredo Gaspar (União).
A previsão, segundo o Viana, é que os membros da CPMI possam ler o relatório com atenção e deliberar na quinta-feira ou sexta-feira seguinte, às vésperas do término do prazo. Viana disse que acredita o trabalho do colegiado ainda não terminou e precisa continuar para o bem do país.
A CPMI se reunirá nesta segunda-feira,23, para ouvir o presidente da Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev), Rodrigo Ortiz DAvila Assumpção, e da ex-noiva de Daniel Vorcaro, Martha Graeff. A oitiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de seu antecessor, Roberto Campos Neto, caso os convites sejam aceitos, deve ocorrer na mesma data.
Relatório
O deputado Alfredo Gaspar adiantou que o texto será "livre de paixões políticas". Na avaliação do parlamentar, o texto evidenciará a extensão das fraudes em benefícios previdenciários e empréstimos consignados.
"Posso adiantar que vai ser um relatório técnico, sem paixões políticas, baseado nos fatos, baseado na verdade. É um relatório que vai mostrar a extensão do problema dentro da previdência social", garantiu.
Na segunda-feira,16, o ministro do STF André Mendonça determinou a proibição de acesso de qualquer pessoa à sala-cofre do Senado onde estão armazenados os dados obtidos com a quebra de sigilos fiscal e bancário de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Gaspar afirmou que os trabalhos da CPMI foram prejudicados pela restrição.
"Vai ser um relatório robusto, mas a retirada de documentos, entre eles, o material de Daniel Vorcaro, atrapalhou bastante. Vamos trabalhar com a possibilidade também de prorrogação do prazo da CPMI e a devolução desses documentos."
Viana enfatizou que, se os trabalhos forem prorrogados, a prioridade será ouvir o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília.
"Trazer Daniel Vorcaro à CPMI é uma questão pessoal, é uma questão minha de honra, porque estava acertado que ele viria, mas ele acabou preso nessas operações [de investigação] do Banco Master. Como presidente da comissão, entendo que precisamos trazer aqui o senhor Daniel Vorcaro e o senhor Fabiano Zettel [cunhado de Vorcaro] para que eles possam esclarecer ao povo brasileiro todos esses detalhes. Eles vão responder às perguntas, se desejarem, porque ficar em silêncio é um direito constitucional, mas eu quero que eles venham, para que eles possam dar esclarecimentos", disse ele.
Na última semana, parlamentares apresentaram um mandado de segurança ao STF. A ação busca assegurar, segundo o pedido, o respeito às prerrogativas do Congresso e permitir a continuidade dos trabalhos da Comissão. Na Corte, Mendonça foi designado relator e ainda não se manifestou.
Dentro do Congresso, a Mesa Diretora da CPMI solicitou a prorrogação das atividades ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas ainda não houve resposta. No colegiado, o relator criticou a "inércia" de Alcolumbre.
A CPMI do INSS, instalada em agosto de 2025, investiga uma fraude bilionária envolvendo descontos indevidos de associações e empréstimos consignados fraudulentos. A investigação identificou 108 empresas suspeitas e movimentações incompatíveis superiores a R$ 1,2 bilhão, com o relatório final prevendo revelar uma das maiores violências financeiras contra idosos no Brasil.
Fonte - Extra


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