Se a ideia era colocar freio, puxar rédea ou alinhar o passo, não deu certo. O prefeito de Maceió, JHC, resolveu tratar do assunto ao seu estilo — com tom firme e uma metáfora que, em Alagoas, dispensa explicação.
Em meio à crise com o PL, que passou a ser controlado pelo grupo político de Arthur Lira, o prefeito parece ter escolhido as palavras a dedo para mandar uma indireta com endereço certo.
“Ninguém nos encabresta, porque aqui não tem etiqueta de vende-se”, afirmou durante agenda da prefeitura de Maceió, nesse domingo (23/03).
A fala veio acompanhada de um reforço à sua linha política. “Eu trabalho para o povo, é a eles que eu devo satisfação. Se eu estiver bem com o povo, estou bem comigo mesmo, com a minha consciência.”
O discurso segue um roteiro conhecido. JHC reafirma independência, evoca sua trajetória e tenta transformar pressão em ativo político. “A gente não se rende, não baixa a cabeça”, disse, ao lembrar que mantém “a mesma forma de atuar desde aquele menino de 22 anos que iniciou sua jornada”.
Não é exatamente novidade. É coerência com uma trajetória que começou na Assembleia Legislativa, em 2011, marcada por embates e posições fora do padrão tradicional da política local.
A escolha da palavra “encabresta” não aparece por acaso. No vocabulário político — e no cotidiano do interior —, o termo carrega significado direto: conduzir, controlar, impor direção.
E, neste caso, ganha ainda mais peso pelo contexto. O embate envolve um dos principais nomes da política nacional, também conhecido por sua atuação no agro, na criação de bois e nas vaquejadas.
Coincidência? Dificilmente. Falas desse tipo raramente são improvisadas.
O conflito entre JHC e o grupo de Lira caminhava para esse desfecho. A chamada “trava” — que limitava o espaço do prefeito na definição das candidaturas para 2026 — foi o ponto de ruptura. De um lado, a tentativa de impor controle. Do outro, a recusa em aceitar condução.
JHC fez o que costuma fazer quando pressionado: elevou o tom e seguiu em frente.
Não é a primeira vez. Ao longo da carreira, construiu uma trajetória marcada por movimentos independentes, muitas vezes fora do script tradicional. Foi assim na Assembleia, na Câmara Federal e na eleição para prefeito.
Agora, repete o padrão em um cenário mais complexo: adversários mais poderosos, disputa pelo governo no horizonte e um ambiente político que exige mais do que discurso. Ainda assim, aposta na mesma fórmula — independência como ativo e enfrentamento como estratégia.
No fim, a metáfora resume o momento.
Tentaram puxar a rédea.
Mas o prefeito deixou claro que, pelo menos por agora, prefere seguir sem cabresto.


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