Uma investigação da Polícia Federal em Alagoas resultou no indiciamento de 11 pessoas, incluindo o vereador Siderlane Mendonça, por integrar o que a PF chamou de “esquema de organização criminosa” com atuação dentro da Câmara de Maceió.

De acordo com o relatório final, que contém 226 páginas e foi obtido copm exclusividade pelo 7Segundos, o vereador teria operado um sistema contínuo de desvio de recursos públicos por meio da apropriação de salários de assessores parlamentares, prática identificada como peculato - popularmente conhecida como ‘rachadinha’.

Os valores desviados, segundo a apuração, ultrapassam R$ 1 milhão em alguns casos e teriam sido movimentados entre 2018 e 2025.

O relatório também apontou o uso de práticas para ocultar a origem do dinheiro, como saques em espécie, transferências entre contas de terceiros e simulação de despesas. Parte dos recursos teria sido utilizada em campanhas eleitorais, por meio de doações consideradas falsas e omissão de gastos - prática conhecida como caixa dois.

Ainda segundo a PF, Siderlane teria inserido informações falsas em prestações de contas à Justiça Eleitoral, além de simular contratos, como a locação de veículos pertencentes ao próprio candidato, com o objetivo de dar aparência de legalidade às despesas.

O relatório conclui que o esquema contava com a participação de assessores, familiares e pessoas próximas ao parlamentar, que teriam atuado de forma coordenada para viabilizar o desvio de recursos. Com o encerramento das investigações, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que decide sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

Siderlane chegou a ser afastado do cargo a pedido da PF, em 25 de abril do ano passado, e retornou ao cargo cerca de 90 dias depois, após ordem do Tribunal Regional Eleitoral.

7 Segundos