A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quarta-feira (20) a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a corporação, o empresário não trouxe informações novas ou relevantes para as investigações em curso.
De acordo com os investigadores, os relatos entregues pela defesa de Vorcaro ficaram aquém das expectativas e não acrescentaram elementos além das provas já reunidas pela PF. Nos bastidores, a avaliação é que Vorcaro também evitou admitir fatos já identificados em celulares apreendidos, o que dificultou o avanço das negociações.
Apesar da recusa, a defesa ainda pode tentar um acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Qualquer entendimento, porém, dependeria do aval da PGR e da homologação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo sem acordo firmado, a investigação segue em andamento. Neste mês, a PF realizou buscas em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
Os investigadores apuram suspeitas de repasses financeiros e pagamento de despesas pessoais do parlamentar por pessoas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, incluindo viagens em aeronaves particulares.
Na sequência, o portal Intercept Brasil revelou áudios entre o ex-banqueiro e o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a visitar Vorcaro durante a prisão domiciliar. Nas conversas, o filho do ex-presidente solicitava recursos ao empresário para viabilizar a cinebiografia de Bolsonaro, "Dark Horse". Ao todo, Vorcaro desembolsou R$ 61 milhões para a produção.
Cela comum e visitas restritas
No início da semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, após decisão do STF. O ministro Mendonça autorizou que o banqueiro fosse submetido às regras ordinárias de funcionamento da unidade.
Vorcaro foi preso em 19 de março, acusado de fraude financeira que teria causado prejuízo superior a R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Inicialmente, ele estava em sala especial, no mesmo local em que o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido por alguns meses.
As visitas dos advogados de Vorcaro também foram restringidas a duas vezes por dia, com duração máxima de 30 minutos cada e sem instrumentos de trabalho. Antes, o banqueiro podia receber advogados das 9h às 17h, sem limitações.
Por Sputnik Brasil


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