Uma denúncia que circula nos bastidores da política alagoana revelou um suposto mapa de distribuição de cargos públicos utilizado para fortalecer a base política do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB), em diversas regiões do Estado. Segundo as informações, mais de mil cargos teriam sido destinados a aliados políticos, vereadores, ex-prefeitos e lideranças do interior por meio da estrutura administrativa da Prefeitura de Maceió.
A repercussão do caso provocou desconforto dentro da própria base governista e teria levado o prefeito Rodrigo Cunha a suspender novas nomeações políticas. Nos bastidores, vereadores de Maceió que integram o mesmo grupo político passaram a reclamar da distribuição dos espaços e pressionaram o prefeito diante do volume de cargos direcionados a lideranças de fora da capital.
De acordo com a denúncia, a articulação das nomeações estaria sendo conduzida pelo ex-secretário Júnior Leão e pelo Major Diego, responsáveis pela interlocução política de JHC em municípios do interior. Os cargos teriam sido viabilizados após a criação de novas vagas na estrutura municipal por meio de Lei Delegada aprovada pela Câmara de Maceió.
O documento ao qual a reportagem teve acesso detalha a quantidade de cargos atribuída a diferentes lideranças políticas.
Segundo a relação apresentada, o deputado federal Marx Beltrão teria sido contemplado com 220 cargos. O vereador Kelmann Vieira aparece com 350 indicações. O ex-vereador Francisco Sales teria recebido 130 vagas. Já o ex-prefeito de Canapi, Celso Luís, aparece com 250 cargos.
A lista também aponta 211 cargos ligados ao deputado estadual Gilvan Barros, 60 ao prefeito de União dos Palmares, Kil Freitas, além de 36 indicações atribuídas à ex-primeira-dama de Alagoas, Marina Cintra, e outras 35 à ex-primeira-dama de Teotônio Vilela, Izabele Alcântara.
Além desses nomes, a denúncia sustenta que cargos foram distribuídos para grupos políticos em municípios como Poço das Trincheiras, Maribondo, Anadia, Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, São José da Tapera e outras cidades do interior alagoano.
Nos bastidores, vereadores afirmam que muitas das indicações foram apresentadas como parte de acordos políticos firmados durante a construção da pré-campanha de JHC ao Governo do Estado. Parte das lideranças que aderiram ao projeto político do ex-prefeito aguardava acomodação na estrutura municipal como contrapartida ao apoio oferecido.
A divulgação do suposto mapa de cargos ampliou o mal-estar dentro do grupo político. Lideranças de Maceió passaram a questionar a concentração de espaços para aliados do interior, enquanto outros grupos reclamam que promessas feitas durante as articulações políticas ainda não foram integralmente cumpridas.
Outro ponto que chama atenção é a informação de que parte das nomeações envolveria cargos com remuneração média de aproximadamente R$ 6 mil mensais. Segundo a denúncia, alguns vínculos teriam caráter temporário e permaneceriam ativos até o período eleitoral de 2026.
O caso também deverá chegar aos órgãos de controle. A denúncia aponta que o Ministério Público Estadual e o Ministério Público de Contas, vinculado ao Tribunal de Contas do Estado, deverão analisar as informações para verificar a existência de eventuais irregularidades na criação, ocupação e utilização dos cargos.


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